The Sonics:
Ainda acho que esses caras são os culpados por
tudo
(ou "Um bom começo com cheiro de Mofo")
Os
indivíduos em questão são, originalmente,
Gerry Roslie (vocal, órgão e piano), Andy Parypa
(guitarra), Larry Parypa (baixo), Bob Bennett (bateria), e Rob
Lind (saxofone). Eles formavam uma humilde banda chamada The Sonics.
Se você for escutar sem saber o que significa, vai acabar
chegando à conclusão de que é só mais
uma daquelas bandas sessentistas que os críticos adoram
citar como exemplo de integridade musical e originalidade, e que
você acha nas sessões de velharia das lojas de CD
no meio dos Little Richards da vida. Mas não, os Sonics
estão longe disso. Você não acha nas lojas.
Ao menos eu nunca achei (por isso amo a Internerd). E não,
não é a minha última pira errada. Uma hora
tenho que escrever um histórico direito para montar uma
merecida página a essas criaturas na sessão de bandas
deste site, com toda a parafernália, bibliografia, coletâneas
e essas catações de níqueis que saem. Enquanto
isto, esclarecemos alguns pontos...
Música
suja no Noroeste dos Estados Unidos tem sido agrupada desde antes
da década de 90 sob o rótulo de "grunge",
termo que em inglês se relaciona à idéia de
sujo. Fontes não muito confiáveis me disseram que
esse era o nome que eles dão para aquela coisa craquenta
que fica grudada no plástico do chuveiro se você
não limpa por um tempo. Mas também pode estar perto
do termo usado para rancor, "grudge". Qualquer que seja
a idéia original, muita gente acha que tudo começou
quando a "cena" das bandas que se uniram na Sub Pop
surgiu. Outros dizem que isso veio mais cedo, que a história
do rock de Seattle (e do Noroeste) começa com o Jimi Hendrix.
Mas eu vou arriscar e dizer que parte da culpa vem de uma listinha
de bandas que pipocaram entre 1958 e 1965 nessa região,
incluindo: The Wailers, The Ventures, Paul Revere & The Raiders,
The Frantics, The Kingsmen e... a mais foda, mas também
a mais indignantemente tosca de todas, The Sonics.
Os
Sonics são de 1963, de Tacoma, estado de Washington. Suas
letras foram imortalizadas por ser tosqueira da melhor qualidade,
do tipo que escandalizava as mães das meninas que gostavam
do Elvis, e a música também, apesar das influências
apontadas serem Ray Charles, Freddie King, James Brown, Little
Richard, misturados com alguma coisa como Kinks e Bo Diddley.
Hoje em dia, as músicas dos Sonics podem soar bobinhas:
não foram poucos os que gravaram coisas sobre psicotrópicos,
venenos e ninfetas maldosas. Mas é aquela história,
imagine isso naquele lugar e naquele... CONTEXTO.
Discos
da época, mesmo, a banda lançou apenas "Here
Are The Sonics" (1965) e "Sonic Boom" (1966), os
dois pelo selo dos Wailers, Etiquette. Um terceiro, chamado "Introducing
The Sonics" (ou "Maintaining My Cool") (1967),
foi lançado pela local Jerden, mas é mais difícil
encontrar. Tem muito material espalhado por coletâneas (aguarde
reportagem séria para ver a lista), e muita coisa também
espalhada como covers, dentre os quais acredito que os de maior
destaque são dos (também indigestos para as massas)
Cramps. E ainda, depois da aula de garagem, você ainda pode
procurar quem seguiu a escola deles, como... The Stooges, Original
Sins, The Mummies, The Devil Dogs, Crime, fora os rebentos de
Billy Childish, Thee Headcoats e Thee Headcoatees (Billy Childish
sozinho é assunto para mais umas três páginas
de babação de ovo, vou me abster disso - por enquanto.
O cara é uma máquina...).
Quanto
a serem os "fundadores" do "grunge"... nas
palavras do próprio Andy Parypa: "os Sonics fizeram
da inabilidade de tocar uma qualidade. Podia ser cru, poderoso,
enérgico, mas o que queríamos era só música
divertida e sincera". Eles nunca estouraram no país,
mas continuam reverenciados. Cinco caras, três acordes.
Punk? Fora de cogitação? Velho pra c*r*lh*? Você
decide. Mas a culpa é deles. Também.

PARA
OUVIR, BABAR (e ficar indignado, tipo "como é que
esses caras já faziam isso, o Iggy não foi o primeiro,
então?"):
-
The
Witch: o primeiro "hit" da banda, e também
o primeiro compacto. É em mono, mesmo...
-
Psycho:
é meio que o outro lado do supracitado, mas tem um
gosto de "a bruxa II".
-
Strychnine:
ahhhh, essa é a campeã! Depois de ouvir a original,
pegue a cover dos Cramps. Garageira, estranha, e fazendo apologia
a uma m* que a grande maioria nem conhece e nem sabe que é
veneno.
-
Cinderella:
não interessa, eu acho meiguinha.
-
E
depois baixa os discos inteiros, mané. Olha no www.allmusic.com
e monta o setlist.

Ana D. M., aestrik@cbgb.net