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Review:  Frank Black

avaliação:

No início de 1993, Black Francis dos Pixies trabalhava no seu aguardado primeiro álbum solo quando ele disse o que ninguém queria ouvir: o Pixies tinha acabado. A notícia não tinha sequer esfriado e o disco estava sendo lançado. 

"Frank Black" é o título de seu primeiro disco e o nome que Francis adotou a partir dali. É um daqueles discos que não envelhece, conduzindo o ouvinte a uma atmosfera própria, sem se prender a estilos ou épocas, um disco único, que vale a pena correr atrás.

A primeira faixa é "Los Angeles", música que teria sido um hit se a parada de sucesso fosse algo justo. A música é divida em duas partes, na primeira, um rockão furioso de riff poderoso e bateria que abusa dos pratos. Depois do rock, a melancolia de uma balada acústica. A letra é bem típica das excentricidades de Frank Black, Los Angeles, não aquela do sul da Califórnia, temos uma no sul da Patagônia.

Em seguida temos "I Heard Ramona Sing", uma espécie de homenagem ao Ramones, mas que pouco remete ao som da banda homenageada. É uma balada de arranjo caprichado, violão e guitarra duelam na introdução de mais um minuto. 
O clima de homenagem continua, com "Hang On To You Ego", cover dos Beach Boys. A versão de Frank Black consegue ser bem fiel ao original, mesmo com um arranjo completamente diferente. Pela primeira vez aparece mais uma das marcas desse disco, os teclados, que dominam a faixa dividindo a importância com as guitarras. Vale lembrar que a produção do disco ficou a cargo do próprio Frank Black em parceira com o tecladista Eric Drew Feldman, um veterano com anos e anos de serviços prestados ao underground tocando na banda Pere Ubu. 

O disco perde um pouco o pique com a arrastada "Fu Manchu", que deixa uma interrogação no ar. O encarte do disco informa a participação de um saxofonista, resta saber se é nessa faixa ou o som de metais de "Fu Manchu" é fruto dos teclados mágicos de Eric Drew Feldman? Talvez seja nas duas!

"Places Named After Numbers" engana o ouvinte com sua introdução grandiosa de teclados e sintetizadores para depois se revelar uma balada ortodoxa levada no violão e guitarra. Bela canção, embora o refrão não esteja entre os mais memoráveis do Frank Black. "Czar" é uma das pérolas do disco, levada no peso das guitarras (com algumas firulas aqui e ali dos sintetizadores de Feldman), a música vai ganhando intensidade até o gran finale. Outra preciosidade é a acústica "Old Black Dawning" é uma canção pop do nível de "Here Comes Your Man". A ácida "Ten Percenter" é tida como uma homenagem a Iggy Pop, embora pouco relembre Iggy ou Stooges. "Brackish Boy" é mais um fruto das idiossincrasias de Frank Black. Nos tempos dos Pixies era comum aparecer músicas e expressões em espanhol. "Brackish Boy" é mais uma delas, a letra é em inglés, mas ele ataca com violões bem hispânicos. A música conta a história estranhíssima do cara que era mexicano, foi adotado por noruegueses, transformado em inglês mas que sempre se sentiu um mexicano. O final é digno das grandes tragédias latinas, o sujeito acaba com a cabeça esmagada por um caminhão gigante na estrada para o México!

"Two Spaces" é uma canção bem simples, com arranjo excelente, pontuado pelo sintetizador meio retrô de Feldman. A empolgante "Tossed" é a faixa instrumental do disco, com excelente trabalho das guitarras, Frank Black contou nesse disco com o apoio do colega de Pixies Joey Santiago. "Parry The Wind High, Low" explora temas alienígenas, outro tema recorrente das letras de Frank Black. "Adda Lee" é outra pérola, os teclados e guitarras se complementando perfeitamente (aquela paradinha é um espetáculo) e o final é apoteótico. "Every Time I Go Around Here" não chega a impressionar e o disco termina em grande estilo na animação pop de "Don't Ya Rile 'Em".

Frank Black mostra todo o seu talento e ecletismo em seu primeiro trabalho solo. O disco é uma verdadeira aula de como usar os recursos de produção, criando um som grandioso sem cair nas armadilhas do exagero, explorando cada detalhe das melodias e evidenciando o som dos instrumentos, sem enterrá-los em efeitos desnecessários. 

Alexandre Luzardo