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Rio de Janeiro, Brasil - 14 de maio de 2003

Então, após dois anos, o Silverchair estava de volta ao Rio de Janeiro. E mais uma vez a banda se mostrou em plena forma mostrando que, ao menos aparentemente, o vocalista Daniel Johns livrou-se de seus problemas físicos que o perseguiam nos últimos anos. Se ainda havia alguma dúvida em relação ao amadurecimento desta banda de australianos que já chegaram aos dez anos de carreira, elas foram dissipadas logo durante os primeiros minutos de show.

É preciso ressaltar como Daniel Johns tem presença de palco e uma segurança invejável para conduzir seu show. Ele consegue centralizar todas as atenções e isso não se deve mais à aparência - o rapaz tem brilho próprio, além de estar tocando como nunca.

O público foi um caso a parte. Num ATL Hall quase lotado podia-se encontrar de tudo: das pré-adolescentes grudadas no palco para ver o ídolo executar "Miss you Love" e "Ana's Song" (aliás foram estas as responsáveis pelos altos índices de desmaios), até os indies, metaleiros (camisas do Helloween e Iron Maiden por toda a parte) e pessoas que não poderiam se enquadrar em qualquer descrição menos detalhada.

Já ressaltada a popularidade do grupo, vamos ao show. A abertura se deu pelos Detonautas que com cinco músicas (sendo uma cover) conseguiram empolgar alguns, chatear uns tantos outros (aí volta o problema do público tão variado).

Por volta de dez e meia da noite a banda entrou, de uma forma espetacular, é preciso frisar. Afinal, poucos esperariam que o show fosse iniciado com a não tão famosa "Steam Will Rise", numa versão mais longa e improvisada do que a encontrada no Neon Balroom, de 99. A primeira música seria a tônica do show, completamente diferente de tudo o que eles fizeram e que mereceram as até mesmo justas acusações de cópias de Nirvana e Pearl Jam.

Pode-se até mesmo dizer que a banda parecia querer fugir das comparações, visto que nenhuma música do Frogstomp, o primeiro cd da banda, foi tocada nesta noite.

"World upon yours Shoulders" já era algo mais previsível mas nem por isso foi menos festejada, assim como "Emotion Sickness", em minha opinião a grande música do show e talvez até mesmo da banda. O público cantando junto, a qualidade da música, a competência dos músicos, tudo isso prova quando uma banda encontra-se no auge e é este o lugar do Silverchair. A música estendeu-se por quinze minutos com uma série de improvisações e já havia ganho, definitivamente, os fãs.

Os que precisavam de hits também não foram embora decepcionados. "Greatest View" agradou a todos, senão pelo reconhecimento, talvez pelo peso. "Miss you Love", em uma versão um tanto quanto burocrática e "Luv your Life" mantiveram o caminho do sucesso radiofônico, porém sem a perfeição de "Ana's Song".

Outros grandes destaques do show foram as novas "Across the Night", "Without You" e "Tuna in the Brine". Este trio talvez seja o que de melhor a banda já fez até hoje e é incrível como foi possível reproduzi-las sem todos os arranjos e com a ajuda de apenas dois tecladistas. O lado negativo é que, enquanto todos conheciam e cantaram as duas primeiras, "Tuna in the Brine" não conseguiu cativar a todos. Bom, a música é o que de mais perto a banda chegou da perfeição, o mundo é injusto e tal, o show iria continuar.

"Anthem for the Year 2000" e "The Door" não foram surpresas e tornaram-se momentos a se recordar, especialmente a última, apresentada como "the funkiest thing silverchair will ever get close to". Dá gosto de ver quando a banda está gostando de tocar e nestas músicas não foi difícil perceber.

Um corinho que se extendeu por toda a platéia pedindo pela clássica "Tomorrow" chamou a atenção de Johns que se fez de desentendido e improvisou "Garota de Ipanema" (!). "Freak" que normalmente encerra os shows da banda veio para mostrar o lado mais rock da banda. A banda então deixou o palco.

Para o tradicional bis, Daniel Johns voltou sozinho e sentou-se ao piano para tocar a belíssima "Asylum" que não entrou no último álbum da banda, o que é realmente algo a se lamentar. Ao seu término a banda retorna e o Silverchair fecha o show magistralmente com "The Lever". Mais de dez minutos de improvisação e o show termina, com o vocalista já sem camisa, para delírio das fãs (vai entender...) e destruindo os intrumentos.

O maior problema do show foi a sua curta duração. Um pouco mais de uma hora e meia após uma espera de mais de dois anos foi pouco para tantos fãs que talvez estivessem vendo a banda pela última vez, devido aos rumores de que esta seria sua última turnê. Esta curta duração deixou de fora algumas músicas que sempre fizeram parte de seus shows, tais quais "Israel's son", "Pure Massacre" e "Slave", além de algumas outras que vinham sendo tocadas na própria turnê do Diorama e que seriam realmente gratificantes de se assistir ("Petrol and Chroline", "Do you Feel the Same") e algumas outras do novo álbum ("Too much of not Enough", "My Favourite Thing").

O Silverchair hoje já pode ser considerada uma das grandes bandas da atualidade, seja lá qual o som que estejam fazendo, seja aquele mais depressivo do Neon Ballroom ou o mais pop do Diorama. A banda já sabe como fazer um show e deve muito ao seu vocalista que já tinha a platéia na mão logo nas primeiras músicas.

Basta torcer agora por uma improvável, porém muito bem vinda, volta da banda às terras brasileiras.

Felipe Barros Pereira, que já estava com saudades de um show de verdade e perdeu as esperanças de um dia ouvir, ao vivo, "do you feel the same" e "my favourite thing" (essa é linda!)