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Sky Valley é o terceirão do
Kaius. Seguindo uma fórmula sonora bastante semelhante
a introduzida pelo trabalho anterior da banda, Blues For
The Red Sun, o álbum em questão vem com
mais ambição, mais peso e menos experimentalismo/zuada,
num estilo mais conservador, entretanto realizado com
grande competência e com aquele toque especial que
só Kaius te oferece. |
Só achei uma idéia infeliz
a de agrupar as 10 músicas em 3 blocos-faixas. Isso quer
dizer que se você tiver com vontade de ouvir logo Demon
Cleaner (música 3 do bloco 2), você vai ter que:
A) usar o botão de acelerar até que as duas músicas
que a antecedem acabem, ou B) usar o botão de retroceder,
partindo do começo do bloco 3, até o início
da música em questão. Colocar uma música
em "repeat" então, nem pensar. As composições
que formam um bloco nem sequer possuem qualquer ligação
umas com as outras, funcionando cada uma de forma completa e
independente. Então, não tinha nenhuma razão
para agrupá-las dessa forma, se não por uma tentativa
imbecil e superficial de fazer algo diferente. Mancada.
Gardenia, a primeira música do disco e o grande destaque
do primeiro "bloco", resume perfeitamente a linha
sonora adotada pela banda: guitarras com timbres extremamente
graves (que me dão uma estranha sensação
de "peso suave") trovejando em riffs arrastados, que
de repente podem mudar para passagens mais leves e viajantes.
Estão lá também o baixo pulsante e igualmente
grave, agora não mais nas mãos de Nick Oliviere,
e a voz de gato rouco de el Garcia. A prioridade da banda com
o intrumental continua, e isso reflete na própria produção
do disco: o volume do vocal encontra-se anormalmente baixo em
relação aos intrumentos.
Já no segundo bloco, encontramos uma das músicas
mais únicas do Kyuss: Space Cadet. A música em
si não tem nada de muito especial, mas a sua exclusividade
está no fato de ser a única balada que me recordo
da banda ter feito em toda sua carreira. Claro, eles fizeram
várias músicas que continham trechos leves, mas
estes eram intercalados por partes pesadas. Space Cadet segue
de modo leve do começo ao fim, durante seus quase sete
minutos de duração, sendo uma canção
bem relaxante. Ainda no bloco 2, temos um dos mais belos clássicos
da banda, Demon Cleaner, com seus riffs e batidas marcantes.
Essa música é bem peculiar dentro do trabalho
do Kyuss; possui um certo ar tribal e um "groove"
que, pelo menos pra mim, dá a impressão de algo
meio "voodoo", meio "macumba". Acho que
boa parte dessa sensação vem, além do ritmo
próprio da música, da melodia vocálica,
sendo um trabalho bem interessante do Garcia. Acho que até
mesmo a letra remete um pouco a esse aspecto, a começar
pelo título: Livrador de Demônios, ou, numa tradução
mais livre, algo como Exorcista.
O último bloco começa
com Odyssey (outro belo exemplo da sonoridade descrita mais
acima), passa pela porradaria galopante de Conan Troutman
e termina com a épica Whitewater, uma composição
de linha progressiva de quase oito minutos, dos quais boa
parte são instrumentais. Um bom modo de terminar um
bom álbum.
Em suma, junto com o Blues for The Red Sun, esse é
o melhor álbum da banda, apesar deu ainda preferir
o Blues. Mas as opiniões podem divergir. Se você
está atrás de um disco mais variado e inventivo,
opte pelo Blues for The Red Sun. Se quiser um álbum
mais pesado e com um som mais limpo e centrado, você
pode preferir o Sky Valley. Mas ainda vale a pena ouvir todos
os albuns lançados pelo Kyuss.
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