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New Music Seminar 93
Rock Brigade - 09/1993
O New Music Seminar é
um evento anual que reúne cerca de 7 mil pessoas
ligadas de alguma forma à música. Mais uma
vez, a Rock Brigade esteve lá cobrindo tudo pra você.
New York fervilhava para o New Music
Seminar deste ano; afinal, as atrações prometidas
eram absolutamente imperdíveis. Só para você
ter uma idéia, cerca de 350 bandas tocaram durante os quatro
dias de agosto quando acontece o evento, em diferentes locais da
cidade.
No primeiro dia, o CBGB recebeu a
Rollins Band, apresentando seu novo baixista, Melvin Gibbs (ex I
And I). Foram 45 minutos de um showzaço muito bem humorado.
As novas músicas da banda pareceram tão incendiárias
quanto a própria platéia dessa noite. Aliá,
os fãs já não agüentam mais de ansiedade
para ver o novo álbum de Henry Rollins e sua turma.
Imediatamente após o fim do
set, fomos para o Palladium conferir a abertura oficial do evento,
que deveria contar com apresentações do Babes In Toyland
e Cop Shoot Cop. Na última hora, no entanto, quem se apresentou
foi o Moby (que não é metal) e o trio perfomático.
Para fechar, finalmente uma banda de rock: Raging Slab. Eram 2 da
matina e um pequeno acidente no som quase estraga o show do Slb.
Quando tudo voltou ao normal, o som estava perfeito, mas não
o suficiente para empolgar a platéia àquela hora da
manhã.
No dia seguinte, foi a entrega dos
prêmios para gente ligada ao meio musical. O Ministro da Cultura
da França, Jack Lang, Chuck D (Public Enemy) e Boy George
receberam prêmios e fizeram discursos eloquentes.
Na casa noturna Roseland, tocou
a banda Black Train Jack, que tem um grande cantor. Pena que o som
não era igualmente grande. O grupo SSL, que assinou recentemente
com a New Epic, foi o seguinte. Apesar de trazer até um DJ
para ajudar, fez um show horrível. Aliás, o SSL deveria
continuar a fazer demos, pois ainda não tem experiência
para encarar um disco com uma gravadora grande. Depois, veio o todo
poderoso Bad Brains, misturando com maestria músicas novas
e antigas de seu repertório, agora liderado pela voz de Israel
Joseph. O final foi com a dobradinha Reignition e Let Me Help.
No dia seguinte, uma festa para
o The Melvins aconteceu no hotel Atlantic. Só que os caras
da banda já foram fazendo bagunça desde o quarto,
e os outros hóspedes não gostaram muito da barulheira.
No CBGB, tocou o Redd Kross. O som que os irmãos McDonald
fazem não fica longe do que poderíamos considerar
como uma mistura de Josie & The Pussycats e Beach Boys. O vocalista
Steve estava com uma roupa exageradamente colorida. Aliás,
o visual do grupo é bem anos 70 e não é de
todo ruim.
O pique dos anos 70 também
predominou no The Academy, onde o Monster Magnet fazia seu habitual
show caótico. Como a Partridge Family [N. do R.: do seriado
de TV que passou no Brasil com o nome `Família Dó-Ré-Mi`],
o grupo passa aquele clima deprê tipo "perdedores com orgulho"
para os psicodélicos que agitavam à frente do palco.
Mas eles certamente não estavam em seus melhores dias.
No Club USA, o grupo The Boredoms
não se apresentou, e em seu lugar tocou o Trumans Water,
de San Diego. A banda é uma espécie de Sonic Youth
mais suave, e já era a segunda referência a Beach Boys
no mesmo dia. O Water é estranho, mas se dá bem no
noise alternativo a que se propõe em seus dois discos já
lançados.
Aí, era a vez do Nirvana.
Era o primeiro show da banda em New York desde que o álbum
Nevermind saiu. Pouca gente foi convidada, apesar de ser um show
bastante disputado. A abertura ficou com o Jesus Lizard, que esquentou
bem a galera. O Nirvana, por sua vez, esqueceu toda a badalação
feita em cima de seu nome e fez um ótimo show. As músicas
novas pareciam mais furiosas, mas sem perder a linha melódica
característica de Cobain & Cia. Quando tocaram Smells
Like Teen Spirit, foi genial. Os únicos pontos negativos
foram a participação do violoncelista, simplesmente
inaudível, e a atitude de Courtney Love (mulher de Cobain),
que derramou cerveja em mim quando me viu fazendo anotações
sobre o show.
No último dia de festa, era
hora do esperado 'Artists Pantheon', onde os artistas discutem sobre
vários temas. Estavam no painel: Doug Wimbish (Living Colour),
Kool Kim O'Donnel e Bill Manspeaker (do Green Jelly). Dave Kendall,
da MTV americana, foi o moderador do debate. Não foi muito
informativo, mas bastante divertido.
Para a última noite do evento,
a primeira parada foi no Grand para ver o grupo The Cords. Muita
gente já os chamou de Sonic Youth holandês, apesar
de ser mais melódico.
Fomos então direto para o
Academy ver o Dig, de quem só conseguimos assistir uma música.
O destaque fica por conta das três guitarras da linha de frente.
Depois, veio o insuperável Ramones. A banda (graças
a Deus) parece que nunca vai mudar seu estilo e Joey Ramone é
o mais estranho e mais carismático vocalista do continente.
"1,2,3,4" e "hey ho let's go"são eternos chamados para os
rockers de verdade, não interessa quantas modas apareçam
e desapareçam a cada ano.
Dando continuidade à nossa
longa noite, fomos ao Wetlands ver o Ozric Tentacles. Só
conseguimos ver 10 minutos de seu show, o que significa metade de
uma música techno do Ozric. Isso sem contar as luzes do palco,
que valiam por mil "viagens" de LSD. Como não havia mais
nada lá, corremos para o Irving Plaza e pegamos um verdadeiro
show alternativo com a banda Straitjackets Fits, da Nova Zelândia.
Mais melódico que barulhento, o Fits tem compositores excepicionais
e os efeitos de pedais fazem a banda parecer mais complexa do que
realmente é.
No Palladium tocou o Lucious Jackson,
banda "patrocinada" pelo Beastie Boys. Valia a pena conferir esse
set por dois motivos: havia rumores que o Beastie Boys iria aparecer
e também porque a banda é boa mesmo. A banda parece
um trovão ao vivo e não esconde sua obsessão
pelo visual anos 70 e um toque funk. Só a presença
de palco é que não é muito boa.
Como o Beastie Boys não apareceu,
voltamos ao Irving Plaza para (finalmente) ver o Boredoms. Foi um
bom final para essa agitadíssima noite.
O New Music Seminar deste ano não
trouxe muitas novidades, e acabou valendo mais pelos shows. Mas,
para os fãs de rock, é melhor conferir o Concrete
Foundation Forum - que é voltado totamente para o metal -
ou a CMJ Musica Marathon. De qualquer modo, o New Music Seminar
é um agradável modo de passar uma semana em New York.
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