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Curitiba, Brasil - 15 de fevereiro de 2001

Na tour que fez pelo Brasil, o Mudhoney tocou em Curitiba no dia 15 de Fevereiro. Estava um dia nublado, chuvoso, e eles apareceram no Moinho São Roque (o clube onde foi realizado o show) lá pelas 7 da noite para fazer a passagem de som. Se mostraram pessoas bem simples, autografando e conversando com os poucos fãs que tiveram a sorte de presenciar o soundcheck. Inclusive, Mark Arm fez um comentário que Curitiba parecia muito com Seattle, apesar que em Seattle tem neve e é mais frio. A banda voltou para o hotel por volta das 9 da noite, e sendo assim, tivemos que sair do clube até que ele abrisse no horário marcado (às 10). Lá fora, um grande número de pessoas aguardava as portas se abrirem, todas enxarcadas pela forte chuva. Camisetas de Alice In Chains e Nirvana foi o que mais pôde ser visto aquela noite.

O clube só abriu as 11 da noite e as pessoas se espalharam lá dentro, pois ainda faltava a banda de abertura tocar. Enquanto isso, músicas como Drain You, Them Bones, Porch e Alive foram tocadas nas caixas de som do clube, e isso fez com que a moçada se agitasse. A banda de abertura, chamada Malditos Ácaros, entrou no palco quando eram mais de 1 da manhã. E realmente, provaram serem malditos. Uma das piores bandas que já tocaram. Ao lado, Mark Arm assistia à performace da banda com um olhar sério.

Depois de 15 minutos de espera, às 2 da manhã, pisa no palco uma das maiores bandas undergrounds de todos os tempos; Mudhoney. Começaram com uma incendiosa 'Suck You Dry', que levou o público literalmente a loucura. Cada música que a banda tocava, era um apocalipse para a galera. A impressão que dava pra ter, era que aquela seria a última musica a ser tocada no mundo. E que aproveitassem bem, pois nunca mais ouviriam. 'Sweet Young Thing' foi primorosa, fazendo com que as pessoas do lugar perguntassem ao mesmo tempo cantando 'Mama said: child, what you done?'. Como não podia ser diferente, os primeiros acordes de 'Touch Me I'm Sick' foram imediatamente reconhecidos. Talvez a música onde mais deram-se moshs e onde mais se pogueou. Houveram momentos do show onde a banda mal podia se mexer, pois tinham 8 pessoas do público em cima do palco. Logo depois a banda pára e sai para o backstage. A galera, "pegando fogo", gritava: "Volta aqui! Queremos mais música, porra, isso é muito pouco". Nem 1 minuto depois, eis que surge Mark Arm com sua guitarra brilhante e a banda continua com seu set. Quando 'Beneath the Valley of the Underdog' acaba, a banda sai de cena outra vez. O público sem saber sobre um possível bis, começa a gritar "MUDHONEY, MUDHONEY". Era um coro forte, onde a única palavra que se ouvia era: Mudhoney!

Foi então que a banda voltou para mais algumas músicas. Muitas músicas foram pedidas pela galera, como Overblown, Acetone, The Money Will Roll Right In, músicas do Nirvana, etc. Uma pessoa até pediu a palheta do Mark Arm, que respondeu através de gestos que não podia tocar sem a mesma. Aí, eles anunciam que vão tocar uma música nova, nunca tocada antes. Quando a música acaba, o público grita por "Hate the Police". Steve Dukich diz: "Ok, this song is about people we hate". A galera enlouquece com a música, entram em estado de nirvana, e ao mesmo tempo a raiva dos acordes misturados com os vocais agressivos de Mark, levam as pessoas a terem um colapso nervoso. No último verso da música, o próprio Mark Arm cai com o microfone na mão, gritando as últimas palavras deitado no chão. Quando a música acaba, ele fala: "Gracias", e algumas pessoas o "vaiam". Ele então rapidamente se corrige dizendo: "Obrigado". 'In n' Out of Grace' também foi tocada e por último outra música. Dan Peters joga as baquetas pras pessoas e a banda sai. O show havia acabado. O que mais era provável naquele momento, era que você tinha sonhado que estava num show do Mudhoney e ainda estava dormindo. Resumindo, extâse total. Ver um show dessa banda é algo indescritível.

Felipe Souza