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Goiânia (GO), Brasil - 07 a 09 de novembro de 2003

Bom, isso não tem intuito de ser resenha (até porque eu tô muito cansado, sem lembranças o suficiente, não vi todos os shows e estou sem saco de escrever algo bem feito agora), muito menos influenciar algo ou alguém, e sim de mostrar por alto o que foi o GNF!!

Para começar, o Goiânia Noise Festival foi tudo o que prometeram e muito mais, muito mais rock'n'roll! Tudo bem organizado, bem estruturado, um ótimo lugar (Jockey Club de Goiânia) com dois palcos e uma ótima aparelhagem de som. O povo de Goiânia é um caso a parte, muito receptivo e companheiro, muito rock. Além disso, havia pessoas do país inteiro vagando sem rumo, atrás de diversão, rock'n'roll e um dedo de prosa com alguém.


Primeiro Dia - Indie? Quase Isso...

Primeira noite, de encontrar os amigos e ouvir as bandas mais alternativas do festival... Começando pela boa The Zeroes, que tem o mesmo vocalista da hilária Réu e Condenado, com seu rock à la Smashing Pumpkins, Yo La Tengo e Sonic Youth, cantado em bom português e grande entusiasmo. Segue o show magnífico dos brasilienses dos Sapatos Bicolores, bem superior ao EP que lançaram pela Monstro Discos, tocando seu rockabilly "gaúcho" que lembra João Penca e (claro) a Graforréia Xilarmônica, com todo o clima dos anos 60, pondo todo mundo pra dançar dar boas gargalhadas comas letras e caras & bocas do vocalista, que aliás, toca e canta muito bem, sem que pareça nada forçado. Era a vez do Violins. Uma banda que quer fazer tudo bonitinho, tudo melancólico, tudo... chato. Eu não posso falar muito, porque não assisti ao show (apenas o ouvi), mas não gostei nem um pouco da forçada de barra que é o show da banda.

No palco ambiente, entrava a nova contratada da Monstro, Barfly, enquanto eu saia, depois de apenas duas músicas que nada me agradaram. Guitarras "shields" sem imaginação e vocais ruins, muito meia boca ao vivo, espero que mude minha impressão em estúdio. Quem encarou a face do mal (com um ótimo show) foi o Prot(o), que fazia uma apresentação (pelo menos para mim) muito esperada, depois de muito ouvir o novo cd da banda. O rock quase oitentista e ao mesmo tempo futurista levou alguns ao delírio com as guitarradas de Pinduca, Pedro Ivo e Cia.

Mais uma vez, a apresentação do grupo curitibano E.S.S. foi prejudicada pelos equipamentos, já que eles usam e abusam dos eletrônicos com teclados e programadores, mas que abriu um grande sorriso e conseguiu entreter o público até nos momentos em que tudo dava errado, com bom humor e suas trilhas que remetem a um Primal Scream mais suingado e solto, com bons teclados e levadas de baixo. O ponto negativo dos caras foi a falta de cd da banda para vender, e que teve uma grande procura. Relespública e Valentina seguiram nos palcos Goiânia 70 anos e Ambiente. Nunca tinha ouvido nenhuma das duas bandas, mas foram-me dito maravilhas de ambas, as quais, para minha constatação, foram do chato ao decepcionante. A primeira por seu sonsinho mod sem graça e sem nada a dizer, a segunda por fazer um som muito bom (uma espécie de mistura entre o Ikara Colt e o Sonic Youth) e ter um vocalista que tenta, e muito muito muito muito muito mal imitar o vocalista do Placebo (que já não é lá essas coisas), me irritando profundamente.

Eis que, então, entram no palco os gigantes Mechanics, que literalmente puseram tudo a baixo com o rock'n'roll hidrofóbico e muito pesado, descarregando energia no público (que, por sua vez, descarregou toda sua energia em si mesmo, no pogo) com uma performance apimentada e escandalosamente pesada, tocando inclusive Hole in The Sky, de uma bandinha inglesa dos anos 60, que derrubou até o último dos descontentes. Infelizmente, perdi os (bem comentados) shows das boas bandas Vamoz e Los Piratas, e só pude ouvir o som do alagoano Wado, que, se não empolgou a todos, fez um show correto e espaçoso, para o público retomar o gás para o último show da noite. O Mundo Livre S/A entrou em cena, como sempre, com toda a simpatia, fazendo a política e as músicas de cunho social serem ouvidas também como entretenimento, levando letras de protesto com um som dançante e maravilhosamente inquieto. O show prestigiou as canções do novo e bom álbum, lançado pela primeira vez por uma gravadora independente e fechando a primeira grande noite com muito samba e o pouco que sobrou do mangue beat.


Mechanics

Prot(o)

Segundo Dia - A Vingança dos Pirralhos (ou a Noite do Hardcore)

Na noite em que as camisetas do Offspring e do Green Day (milagrosamente) deram espaço às de grupos como Operation Ivy, Dance Of Days, Face to Face, Ratos de Porão, Mukeka di Rato, dentre outras, o Jockey Club tremeu nas bases com a molecada toda cantando junto com as bandas, como se fosse o último show da vida deles. Mas também foi a noite onde eu preferi selecionar somente alguns (ótimos) shows para assistir, dado meu estado deplorável depois de umas 50 horas sem dormir.

O Nem lançou seu disco, que sai pela Monstro, no Palco GO 70 anos, vertendo seu rock mutante em muita energia e melodia, totalmente influenciados (e produzidos) pelas guitarras de Sergio Dias, trazendo de volta um pouco da estranheza e divertidas melodias para a música pop. Vieram então os Borderlinerz, que têm mais a mostrar do que a dizer, empolgando as mininhas de 15 anos com suas tatuagens e corpos de fora. Fizeram um show apenas regular, apresentando seu som mezzo proto punk, mezzo 77 (nada de glam, por favor, como alguns já disseram) e não tocaram as duas melhores faixas do seu disco de estréia, os dois Dubs bem safados, mas divertidos que gravaram.

Os Detetives esbaldaram seu rock'n'portunhol no público com as canções energéticas de seu disco de estréia, algumas das quais traziam um feeling impressionante, bem climáticas e furiosas, que evoluíam até chegar ao desespero, um puta show. Os monstros do Hang the Superstars entraram com o jogo ganho e uma platéia bem receptiva, para destroçar sua mescla de New Wave com Proto Punk (algo como uma bizarra mistura de B-52's + Cramps + Buzzcocks) atirando músicas de seu EP, entoadas pelo público, e novas músicas que já ficaram de uma vez na cabeça de todos.

O grande destaque, com sempre vai para a comissão de frente do Hang, o sensacional vocalista "ataque de nervos" e as duas backing vocals que são a grande (e melhor) característica do HTS. Esperando o inesperado, o Objeto Amarelo respondeu à altura fazendo o inimaginável, um show de rock convencional e sem esquisitices, o que decepcionou os poucos que esperavam uma barulheira demoníaca e intransigente. Na verdade, Carlos Issa (o mentor deste monstro) e companhia tocaram o mais eficiente e ácido rock que o festival assistiu, com canções (engraçado falar em canções quando se trata do O.A.) repetitivas (mas sem o menor desgaste) bem arrastadas e letras muito boas, lembrando os Stooges, só que com um som mais quebrado. Destaque para a versão "banda" de Dix e para a nova Cisma, que todos estão esperando para ouvir este Objeto Amarelo em disco.

Daí para o Mukeka di Rato foi da água para a cachaça, e o porre começou bem com os capixabas mais turbinados do planeta, fazendo seu protesto de maneira divertida e até com a presença de uma vaca no palco. Quem pediu hardcore conseguiu o que queria. Para entrar no coma alcoólico, vieram os colossos Ratos de Porão, com vinte e tanto anos de estrada, um novo baixista e, inacreditavelmente, um show muito mais energético do que se imaginaria, com um João Gordo (mais João do que Gordo, agora) se movimentando bastante com uma ótima presença de palco como há muuuuuuuuuuuuuuuito tempo não se via. Ratos é sempre Ratos, mas esse foi mais do que o normal!!!


Detetives

Hang the Superstars


Terceiro Dia - Demasiada Seqüela

Terceira noite, muita cansaço, muita seqüela... Mas o Goiânia Noise teve um encerramento para deixar-nos um ano roendo as unhas esperando o próximo que, dizem, será duas vezes maior do que este. Não duvide!

Os shows começaram no clima de Jam Sessions com os Brasa Mora All Stars, misturando gente como o Hang, Marcelo Rocker e Shakemakers. Ele fez uma festa bem divertida no palco, seguidos pelo som viajadão, instigante e abusivo do Midwest (o qual infelizmente, só pude ouvir também). O Estrume'n'tal fez seu show competente de surf music instrumental (é claro), fazendo uns poucos aventureiros dançarem bastante.

Daí começou a demência. Space Invaders fez seu show ET para um público confuso, mas que acabou gostando do que viu, com batidas ferozes e vocais delirantes! Os Walverdes fizeram um show AFUDÊ, tocando todos os seus "clássicos", e foram acompanhados estrofe por estrofe por uma grande e agitada platéia, com destaques máximos para as novas músicas (bem influenciadas por Nebula e Fu Manchu) e pela forma esporrenta e apocalíptica com a qual detonaram os instrumentos, urgência foi pouco... Quanta ignorância.


Walverdes

Fabrício Nobre entra no palco então para dar suas palavras de agradecimentos e narrar alguns fatos ocorridos no festival. Até chorou ao falar da suposta morte de um garoto no dia anterior, por infarto, durante o show do Ratos, fato que foi desmentido pelo próprio nobre ao fim do seu discurso, mas que devido a tanta informação confusa, nem sei se isso também é verdade. Depois, chegou aos finalmentes com o show do MQN, e que finalmentes!! Parecia que o mundo ia acabar, era o último Goiânia Noise, a última vez que se viria aquela banda no palco, ou os goianos tinham algo assim na cabeça, pois foi uma puta agitação do início ao fim com um set list impecável das músicas lançadas ou não pela banda, mas todas cantadas pela platéia em coro, além de um fim ensandecido com um cover magistral de Grand Funk Railroad... Quero mais, muito mais, Burn Baby Burn!!


MQN

A surf music reapareceu chapada e galáctica com os Retrofoguetes, embalando todos com seus sons espaciais e levando ao delírio os apreciadores do som, tocando algumas músicas de seu EP lançado pela Big Bross e algumas, altamente viciantes, novas canções, que já estão gravadas à espera de um selo. Não creio que demorem a encontrar um abrigo para elas. Autoramas na vez, e eu nunca vi tanto "punk" de moicano se esgoelado com música pop, aliás, pop-rock-newwave-elctro-surf-punk, uma vez que os cariocas, que já se sentem em casa na capital goiana, atiram (e muito bem) para todos os lados, fazendo o público gritar bem alto todas as músicas que foram tocadas, delirando a cada momento em que Gabriel e Simone faziam suas coreografias engraçadíssimas no palco, aquela coisa que costumavam chamar de espetáculo.

Para o ponto final do 9º Goiânia Noise a demência tomou forma humana, e oriental ainda por cima. Os nipônicos Guitar Wolf mostraram o que é o bom e velho rock'n'roll, nada de arte, coisas bonitinhas ou pose, mas sim diversão, feeling, a já citada demência e o espetáculo!! E assim os japoneses entoaram clássicos como Jet Generation, Fujyhama Attack e versões totalmente estouradas de Summertime Blues e Satisfaction... Com direito ao guitarrista (quase morrendo de calor) chamar um cara qualquer da platéia para tocar sua (linda) guitarra em uma aloprada jam session. Quando todos pensavam que tinha acabado, os caras voltaram, primeiro só o baixista e o baterista, depois o guitarrista, que, como um trovador ninja, entoou uma música (ou algo parecido) somente acompanhado de sua guitarra e cantando sem o microfone, para o delírio de todos que assistiam tão perplexos quanto eufóricos ao que inacreditavelmente acontecia! RRROCK!!


Guitar Wolf

**

Uma coisa interessante foi dita pelo jornalista Humberto Finatti: Um festival destas proporções não daria tão certo em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, porque simplesmente o público destas cidades costuma esnobar algumas bandas e eventos, enquanto o que o público goiano não quer saber de segregação ou modas, mas sim de diversão e rock'n'roll! Que venha o 10º GNF!!!

Conheci também muita gente foda e reencontrei algumas outras amizades recentes como: Marcelo Fusco (trezeta muzik), Fred (trezeta muzik), Humberto Finatti (Dynamite), Leo Bigode (Monstro), Márcio Jr. (Mechanics), Jaime (Mechanics), BB (Mukeka di Rato), Patrick (Walverdes), Marcos (Walverdes), Mini (Walverdes), Gabriel (Autoramas), Simone (Autoramas), Bacalhau (Autoramas), Daniel (réu & condenado e The Zeroes)... Entre outros que foram e fizeram desse um festival foda!!

Pagação de pau? Não sei, mas se for, foi com prazer e sem jabá!!

Henrique Amud
Fotos: Anderson Brito


07 de novembro

19h – Panis Circensis (Goiânia)
19h30 – The Zeroes (Goiânia)
20h – Sapatos Bicolores (Brasília)
20h30 – Violins (Goiânia)
21h – Barfly (Goiânia)
21h30 – Prot(o) (Brasília)
22h – ESS (Curitiba)
22h30 – Relespública (Curitiba)
23h – Valentina (Goiânia)
23h30 – Mechanics (Goiânia)
24h – Vamoz! (Recife)
24h30 – Wado (Alagoas)
01h – Los Pirata (São Paulo)
01h30 – mundo livre S/A (Recife)

08 de novembro
19h – Náusea HC (Goiânia)
19h30 – Pugna Puf (Goiânia)
20h – Terror Revolucionário (Brasília)
20h30 – NEM (Goiânia)
21h – Desastre (Goiânia)
21h30 – Borderlinerz (São Paulo)
22h – Astronauta Elvis (Campo Grande)
22h30 – Detetives (São Paulo)
23h – Resistentes (Goiânia)
23h30 – Hang the Superstars (Goiânia)
24h – Estrume’n’tal (Belo Horizonte)
24h30 – Mukeka di Rato (Vitória)
01h – Astronautas (Recife)
01h30 - Ratos de Porão (São Paulo)
09 de novembro
17h – Flores Indecentes (Goiânia)
17h30 – Brasa Mora All Stars (Goiânia)
18h – Capotones (Brasília)
19h – HC 137 (Goiânia)
19h30 – Objeto Amarelo (São Paulo)
20h – Space Invaders (Pouso Alegre)
20h30 – Walverdes (Porto Alegre)
21h – Trissônicos (Goiânia)
21h30 – MQN (Goiânia)
22h – Retrofoguetes (Salvador)
22h30 – Autoramas (Rio de Janeiro)
23h – Matanza (Rio de Janeiro)
23h30 – Guitar Wolf (Japão)