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Mr. Tambourine Man (1965)
Logo nos primeiros acordes da faixa título, o Byrds já estava escrevendo seu nome na história. O magnífico e inconfundível som da Rickenbacker de Roger McGuinn é tão marcante quanto a harmonia perfeita de Roger, David Crosby e Chris Hillman no refrão.
A música é mais uma preciosidade do baú folk do Sr. Bob Dylan. Clássico absoluto, um trecho da letra gerou um sub-gênero musical. "In a jingle jangle morning I'll come following you" diz a letra, e daí surgiu um termo chamado jangle pop, que compreende as chamadas "jangling guitars" ou ainda "ringing guitars". É complicado explicar, mas ao ouvir a música fica muito claro. Aqueles acordes quase circulares ressoantes e estridentes, por vezes lembram sinos. 
O disco ainda contém vários clássicos, entre eles "I'll Feel A Whole Lot Better", composta por Clark (na época o principal compositor entre os Byrds); "All I Really Want To Do", "The Bells of Rhymney", "All I Really Want to Do" e "Chimes of Freedom" são todos verdadeiros diamantes desse disco irrepreensível.
Turn! Turn! Turn! (1965)
No mesmo ano de "Mr. Tambourine Man", o Byrds já tinha o seu segundo disco pronto, "Turn! Turn! Turn!". O grande destaque é inegavelmente a faixa-título e o disco não trazia grandes inovações sonoras se comparado a "Mr. Tambourine Man", talvez por isso não tenha recebido toda a aclamação do álbum anterior.
Mas é um trabalho perfeitamente equilibrado, sem músicas ruins e com grandes destaques, principalmente a melancólica "Set You Free This Time" (mais uma de Clark), "Lay Down Your Weary Tune" e "Times They Are A-Changing" (ambas de Bob Dylan); além da emblemática "He Was A Friend of Mine". Essa última começa levada por um vibrante e alegre violão bem country, até a entrada do vocal harmônico em três vozes, que é de uma melancolia de arrepiar. Falando em country, é nesse disco que começam a ficar evidentes as inclinações do Byrds para o country. Mesmo que seja de forma irônica, como ao gravar "Oh Susannah" (essa mesmo que você está pensando). Mas todo o disco fica em segundo plano pela grandeza da faixa-título. "Turn! Turn! Turn! (To Everything There Is A Season)" foi composta por Pete Seeger fazendo uma adaptação do Livro dos Eclesiásticos. Sim, estamos falando da bíblia! O "timing" não poderia ter sido melhor, na época que a guerra do Vietnã tocava o horror, a letra de "Turn! Turn! Turn!" dizia 'A time for peace, I swear it's not too late'. E a performance da banda é um daqueles momentos mágicos que não se repetem. As harmonias e a Rickenbacker de McGuinn se complementam com perfeição e até a bateria, que é um dos pontos mais limitados do Byrds, está impecável. 
FIFTH DIMENSION (1965) 
"Eight Miles High", só. Apenas essa música já renderia o status de clássico ao disco. "Eight Miles High" é apontado como o momento em que o rock abraçou a psicodelia. Claro que não foi uma invenção apenas do Byrds, e seus integrantes reconhecem isso.
Gene Clark compôs a música durante uma viagem a Inglaterra depois de um encontro com Brian Jones (Rolling Stones). McGuinn creditou Rod Argent do Zombies por ter mostrado durante o solo de teclado em "She's Not There" que era possível que o jazz poderia ser incorporado a uma canção de rock. E, depois de uma turnê com John Coltrane, Mcguinn claramente tentou evocar o som do sax que acompanhava Coltrane. Com isso, a guitarra hipnótica de "Eight Miles High" abriu as portas para a psicodelia. O início da música, com um verdadeiro duelo entre baixo e guitarra é um dos momentos definitivos do rock nos anos 60. A bateria alucinada e as harmonias perfeitas completam o quadro. Mas "Fifth Dimension" tinha muito mais. O folk da faixa título e seu belíssimo solo de sintetizador analógico, o arranjo excepcional de "Wild Montain Thyme" que contava com cordas e vocais brilhantes, e a simpática "Mr. Spaceman". Mas por ser um álbum mais experimental, "Fifth Dimension" também tem alguns momentos dispensáveis, e entre eles, uma quase funk "Hey Joe", que fica muito aquém da versão de Jimmi Hendrix.

Younger Than Yesterday (1966)
Em "Younger Than Yesterday" o Byrds começa a enfrentar um declínio comercial e mudanças na formação. Desde "Fifth Dimension" a banda não contava com Gene Clark, cuja última participação foi justamente em "Eight Miles High". A razão da saída de Clark foi o suposto medo de avião, que é ironicamente a temática da letra de "Eight Miles High".

Mcguinn ainda teria argumentado "você não pode ser um byrd se não pode voar", mas não funcionou e a frase virou lenda. Clark tinha sido até então o principal compositor da banda, e Crosby, Clark e Hillman teriam que se virar dali em diante. Mas a tarefa não foi tão difícil assim e o resultado foi mais um disco excepcional. O destaque é "So You Want To Be A Rock'n'Roll Star", com sua letra sarcástica sobre o universo do rock. O arranjo é arriscado, com direito a naipe de metais, generosa percussão e baixo sinuoso. Mas a indefectível Rickenbacker de Mcguinn deixa tudo no seu lugar. "Have You Seen Her Face" é uma bela canção pop (composta por Hillman), mas o tempo não fez muito bem a ela, soando um tanto datada hoje em dia. "My Back Pages" é outra maravilhosa versão para música de Bob Dylan, e o disco tem ainda a sinistra "Everybody's Been Burned", talvez a melhor composição de Crosby até então.
NOTORIOUS BYRD BROTHERS (1968)
Depois que que "Younger Than Yesterday" não teve o sucesso comercial esperado, foi lançado o single "Lady Friend", também de Crosby. O single fracassou e a banda optou por seguir um caminho menos audacioso, optando pela nostálgica "Goin' Back" como próximo single.
Crosby ficou irritadíssimo, já que ele esperava que a sua "Triad" fosse o próximo single e com isso, surgiu uma verdadeira batalha interna na banda, que culminou com a saída de Crosby ainda durante as gravações de "Notorious". Mas as turbulências não afetaram o que viria a ser outro grande disco, o último da fase inicial da banda. É em "Notorious Byrd Brothers" que as variadas influências do Byrds convivem de forma mais coesa. Rock, folk, country e psicodelia se misturam ao longo do disco ao invés de se manifestarem isoladamente ao longo das músicas, como fica evidente em "Wasn't Born To Follow", levada country e solo psicodélico se misturam com maestria. "Natural Harmony" tem um dos arranjos mais ambiciosos já gravados pela banda, enquanto "Old John Robertson" é uma bela amostra do country-rock que viria a seguir. 
SWEETHEART OF THE RODEO (1969)
Com a saída de Crosby, sobraram McGuinn e Hillman como líderes do Byrds. A idéia de McGuinn era gravar um álbum conceitual que englobasse a história da música contemporânea, do country e folk ao rock, jazz e música eletrônica. Durante o projeto, Gram Parsons junta-se a eles no estúdio, inicialmente como contratado para tocar piano (?).
Mas o carisma, o talento, e principalmente o amor de Parsons pela música country acaba levando o Byrds a outros caminhos. O resultado foi "Sweetheart of the Rodeo", talvez o primeiro disco efetivamente de country-rock de todos os temos. Mas não se tratava da influência country já mostrada pelo Byrds ao longo de sua carreira. É country autêntico, com os arranjos baseados em instrumentos tradicionais como banjo, violino (o chamado fiddle, o violino do country), steel guitar e piano. O primeiro single claramente tenta fazer a ponte entre o velho e o novo Byrds. A música escolhida "You Ain't Going Nowhere", mais uma cover de Dylan com harmonia de três vozes no refrão, mas o arranjo não deixa dúvidas, é country-rock. Obviamente o disco foi um choque para os fãs e não obteve sucesso comercial, embora seja lembrado até hoje como (mais um) clássico da banda. É outro álbum perfeito, com grandes músicas como a belíssima "You Don't Miss The Water", a ingênua "The Christian Life", "One Hundred Years From Now" e "Hickory Kind". Talvez não seja o disco recomendado para conhecer a "essência" do Byrds, mas é um disco fundamental para entender a origem de bandas como Wilco e Jayhawks.
DR. BYRDS AND MR. HYDE (1969)
Hillman e Parsons saíram da banda logo após "Sweetheart of the Rodeo", obrigando McGuinn a recomeçar do zero. A nova formação do Byrds contava com bons músicos, principalmente o excelente guitarrista Clarence White, mas isso não foi suficiente para render um bom disco.
A sonoridade é confusa, embaralhada. De resto, "Dr. Byrds and Mr. Hyde" soa como uma tentativa desesperada de tentar reproduzir a identidade da banda. Somente isso explicaria a idéia de incluir um medley de "My Back Pages", "BJ Blues" e "Baby, What Do You Want Me To Do". Ainda assim, é de se destacar o inspirado country de "Drugstore Truck Drivin' Man" e "King Apathy III", com a interessante dinâmica 'verso elétrico/refrão acústico".
BALLAD OF EASY RIDER (1969)
"Ballad Of Easy Rider" foi muito bem nas paradas de sucesso, principalmente graças ao filme Easy Rider, do qual a belíssima faixa título é trilha sonora. O restante do disco alterna altos e baixos. A excelente "Deportee" está entre os destaques.
Em "Jesus Is Just Alright", o Byrds flerta com o gospel (!) com bons resultados, enquanto "It's All Over Now Baby Blue", mais um cover de Bob Dylan para o currículo da banda, decepciona. A formação original do Byrds já havia gravado uma versão espetacular para "Baby Blue" durante as sessões de "Turn! Turn! Turn!", mas que acabou não sendo aproveitada no disco. Já a versão do "novo" Byrds é um tanto constrangedora. 
UNTITLED (1970)
Talvez o último suspiro de grandeza do Byrds esteja em "Untitled" de 1970.  Depois de um bem-vindo renascimento comercial com "Ballad of Easy Rider", a  banda preparou um LP duplo com apresentações ao vivo e músicas inéditas. Entre as versões ao vivo, destaque para "So You Want To Be A Rock'n'Roll Star", que teve acentuada a veia roqueira.
Já "Eight Miles High" virou uma jam jazzística que se prolonga por 16 minutos. Mas quem rouba a festa é a inédita "Chestnut Mare", uma espécie de fábula western. Trata-se do último grande clássico do Byrds, desde o arranjo, que relembra o início de carreira, mas principalmente pela melodia de McGuinn (em uma das melhores composições de sua carreira). A velha Rickenbacker surge em primeiro plano mas com espaço para brilhantes intervenções de Clarence White no violão, em momentos sinuosos arrepiantes que chegam a lembrar Jethro Tull. O restante do material inédito é bem respeitável, com boas músicas como "Truckstop Girl" e "All The Things". 
BYRDMANIAX (1971)
Depois do bom momento de "Untitled" o Byrds desperdiça a chance de se reafirmar com "Byrdmaniax". A sonoridade da banda aparece enterrada entre pianos, arranjos de cordas, metais, coros gospel e muito overdub. Reza a lenda que a culpa recai sobre o produtor, que teria 'inflado' o disco com recursos de estúdio enquanto a banda excursionava sem o consentimento de seus integrantes.
Em meio ao exagero da super produção pouca coisa se salva, como a bela balada "The Pale Blue" e a irônica "I Wanna Grow Up To Be A Politician".
FARTHER ALONG (1971)
Decepcionados com o resultado de "Byrdmaniax", os integrantes do Byrds aceleraram a gravação do próximo disco. Em pouco mais de seis meses depois, "Farther Along" estava pronto. A sonoridade mais orgânica reflete o que a banda pretendia de "Byrdmaniax", mas o problema é que eles esqueceram o repertório.
O rock de "Tiffany Queen" entusiasma, embora a música não seja exatamente memorável, enquanto a faixa-título também faz bonito. Mas infelizmente era o fim do caminho para o Byrds, que logo depois desse álbum encerrou as atividades.
BYRDS (1973)
No entanto, num esforço do então iniciante executivo David Geffen, acontece a reunição os cinco byrds originais: McGuinn, Gene Clark, Michael Clarke, David Crosby, e Chris Hillman. O resultado é o álbum "Byrds", que em muito pouco lembra os clássicos da banda.
O que se diz é que todos eles estavam mais preocupados com seus projetos solo (e guardando suas melhores composições para si mesmos e não para a banda). Mas mesmo que as músicas não fossem as melhores, a performance da banda também não lembra seus melhores dias, tanto nos arranjos (só para dar uma idéia, a Rickenbacker de Mcguinn aparece muito ocasionalmente), mas principalmente nas harmonias, um ponto alto da formação original da banda, mas que parece aparece sem o mesmo brilho neste álbum. "Full Circle" e "Changing Heart" (ambas de Clark) são os destaques, assim como "Things Will Be Better (Hillman). Como curiosidade, nenhuma música de Bob Dylan foi gravada para esse disco. Ao mesmo tempo, surgem como gratas surpresas, duas respeitáveis versões para "Cowgirl in the Sand" e "(See The Sky) About To Rain" de Neil Young, pareceiro de David Crosby no CSN&Y. 

Mesmo que o disco tenha se saído muito bem nas paradas, a reunião foi frustrante tanto para os fãs como para os integrantes do Byrds. Era hora de deixar o nome ocupar o seu lugar na história. Crosby teria feito McGuinn jurar que nunca mais iria se apresentar usando o nome Byrds de novo com uma formação que não incluísse todos os membros originais. Desde então, só houveram algumas apresentações ocasionais e cada um seguiu o seu caminho. Entre os inúmeros lançamentos de coletâneas e material inédito, vale a pena investir na excepcional "The Byrds Box Set", com 4 cd's cobrindo grande parte da carreira da banda, lançada em 1990 na comemoração aos 25 anos de sua formação. Dos integrantes originais, Gene Clark e Michael Clarke já são falecidos. Roger McGuinn continua excursionando até hoje em apresentações solo de voz e violão. David Crosby ocasionalmente retoma o bem-sucedido Crosby, Stills and Nash (& Young), enquanto Chris Hillman também se apresenta como artista solo, tendo lançado seu último álbum em 2002, "Way Out West". 

E, como McGuinn é um sujeito de palavra, nunca mais veremos os Byrds juntos de novo.


Alexandre Luzardo, fã de carteirinha do Byrds
desde que ouviu um trecho de Turn! Turn! Turn!
no filme Forrest Gump em 94 ou 95.
(naquela cena de despedida no ônibus hippie em Washington)