|
Pode
ser o diabo ou pode ser deus... mas com certeza não
é humano!
Dawn
Anderson
tradução: A. D. Molin
Ah,
Aberdeen - uma cidade em que não tem nada para fazer
a não ser beber cerveja e adorar Satã. Os Melvins
eram de Aberdeen. Lembra? Agora o fã-clube dos Melvins
está detonando alguns riffs pesados por conta própria.
Eles se chamam Nirvana, um nome que significa tanto tudo quanto
nada. Se você não entende isso, você pode
fazer um curso em religiões mundiais ou você
pode testemunhar o Nirvana encarnado, na próxima vez
que eles tocarem na cidade grande.
O
guru-cabeça do Nirvana, Kurdt Kobain, mora em Olympia
agora, mas ele começou a fazer seus riffs estilo Melvins/Soundgarden
na cidade que o tempo esqueceu, aprendendo tudo o que sabe
assistindo aos ensaios dos Melvins. Eternamente.
"Eu
vi centenas de ensaios dos Melvins", Kurdt lembra. Eu
dirigia a van deles nas turnês. Todo mundo odiava eles,
aliás. E eu e o Matt (o antigo baixista dos Melvins)
até usávamos o mesmo cartão de visitas;
é quase como se fôssemos casados."
Nirvana,
consistindo de Kurdt na guitarra e vocais, Chris Novoselic
no baixo e Chad Channing na bateria, ainda é uma banda
jovem, mas eles estão caminhando rápido na direção
de se tornarem Budas, ou pelo menos Bodhisatvas, do circuito
pain-rock do Noroeste.
Já
que algumas pessoas parecem pensar que a Backlash é
um guia de compras (que idéia oiriginal!), é
provavelmente justo informá-lo de que se você
não gostava dos Melvins, ou se você gostava dos
Melvins mas achava que esse tipo de música já
deu para o gasto, você não vai gostar de Nirvana.
Mas também é importante ressaltar que isto não
é uma banda-clone. O grupo já está bem
na frente da maioria dos mortais no departamento de escrever
músicas, e, com o risco de fazer blasfêmia, eu
honestamente acredito que com prática suficiente, o
Nirvana poderia ficar... melhor que os Melvins!
"Nosso
maior medo no começo era que as pessoas poderiam pensar
que a gente era um rebento de Melvins", Kurdt Kobain
admite. Mesmo assim, a associação provavelmente
funcionou para vantagem da banda. O Nirvana gravou uma fita
demo de detonar os ouvidos que imediatamente fez cada viciado
em barulho da cidade ficar babando sobre a próxima
grande esperança branca do grunge... e provavelmente
não foi ruim que Mervin Dale estivesse na bateria (isso
foi antes do Chad se juntar a eles).
A
banda fez o seu primeiro show como Nirvana num Sup Pop Sunday
no Vogue. Eles não estavam prontos.
"Nós
estávamos num aperto", lembra Kurdt. "Simplesmente
não parecia um show de verdade. A gente sentia como
se estivesse sendo julgado; era como se todo mundo tivesse
cartões de nota. Além de tudo, eu estava mal.
Eu tinha vomitado, aquele dia. É uma boa desculpa."
"A
gente já tinha músicas tocando no rádio",
acrescenta Chris (a KCMU tem colocado "Paper Cuts"
no ar). "Todo mundo já estava falando da gente.
Tinha bastante pressão."
Infelizmente,
o nervosismo de Kurdt estava aparente no palco naquela noite,
mas eu assisti a apresentações deles duas vezes
depois disso e eles têm ficado mais firmes a cada vez.
Eles estão se tornando o tipo de banda que consegue
transformar uma platéia inteira em zumbis com seu peso
absoluto (isto é um elogio).
Minha
única reclamação é que Kurdt ainda
não parece conseguir tanta finesse vocal quanto ele
alcança na fita, já que ele tem que tocar a
guitarra e gritar ao mesmo tempo. Mas ele vai dar um jeito
nisso. Enquanto isso, procure pelo single que vai sair em
breve pela Sub Pop, com uma música própria e
uma cover do Shocking Blue, "Love Buzz".
E
mantenha seus ouvidos virados para Aberdeen, porque cidades
inativas são oficina do diabo.
[Backlash,
agosto de 1988]
|